2005 – O VENTO CORTA AS TERRAS DOS PAMPAS. EM NOME DO PAI, DO FILHO E DO ESPÍRITO GUARANI, SETE POVOS NA FÉ E NA DOR… SETE MISSÕES DE AMOR

By 26 de agosto de 2017

Resultado
Campeã do Grupo Especial (LIESA) com 399,4 pontos

Data, Local e Ordem de Desfile
7ª Escola de 07/02/05, Segunda-Feira
Passarela do Samba

Autor(es) do Enredo
Comissão de Carnaval

Carnavalesco(s)
Comissão de Carnaval

Presidente
Farid Abrahão David

Diretor de Carnaval
Laíla

Diretor de Harmonia
Laíla

1º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Selmynha SorrisoZ e Claudinho

2º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Janailce e Carlos Augusto

Coreógrafo da Comissão de Frente
Ghislaine Cavalcanti

Bateria
250 Componentes sob o comando de Mestre Plínio e Paulinho Botelho

Contigente
57 Alas

Samba Enredo

Autor(es)
J.C. Coelho, Ribeirinha, Adilson China, Serginho Sumaré, Domingos PS, R. Alves, Sidney de Pilares, Zequinha do Cavaco

Puxador(es)
Neguinho da Beija-Flor

Clareou…
Anunciando um novo dia
Clareou…
Abençoada estrela guia
Traz do céu a luz menino
Em mensagem do divino
Unir as raças pelo amor fraternizar
A companhia de Jesus
Restaura a fé e a paz faz semear
Os jesuítas vieram de além mar
Com a força da fé catequizar… e civilizar

Na liberdade dos campos e aldeias
Em lua cheia, canta e dança o guarani
Com tubichá e o feitiço de crué
Na “yvy maraey” aiê…povo de fé

Surgiu
Nas mãos da redução a evolução
Oásis para a vida em comunhão
O paraíso
Santuário de riquezas naturais
Onde ergueram monumentos
Imensas catedrais
Mas a ganância
Alimentada nos palácios de Madri
Com o tratado assinado
A traição estava ali
Oh, pai, olhai por nós!
Ouvi a voz desse missioneiro
O vento cortando os pampas
Dobrando a esperança
Nesse rincão brasileiro

Em nome do pai, do filho
A Beija-flor é guarani
Sete povos na fé e na dor
Sete missões de amor

Sinopse

Na infinidade dos céus, luziu a claridade da grande estrela.
Era a anunciação da luz mensageira.
A luz em forma de menino.
A fonte que fez cintilar a igualdade entre as raças e juntou a mirra, o ouro e o incenso em louvor ao soberano do reino dos céus.
E a luz se fez homem.
O tempo passou. O império das trevas se fez anunciar e a noite se sobrepôs ao dia… Reinou a escuridão.
O homem ergueu fabulosos templos e bordou com o mais rico metal. Mas, sem seguir os ensinamentos do Bom Pastor, afastou-se da caridade perfeita, a inspiração eclesiástica.
Os cataclismos da inquisição pareciam jogar, definitivamente, por terra, os últimos vestígios dos herdeiros do Trono de Pedro.
Numa Europa decadente, protesta o rebanho de uma igreja de controvérsias e, com a reforma de Lutero, a mais sólida instituição do mundo, oscila em suas próprias raízes seculares e, só não cai, porque o bafejo do Senhor ainda alimenta.
Se fazia necessário substituir as almas dissidentes e arrebatar novas ovelhas para um rebanho disperso.
Bem-aventurado sejas, Oh! Mundo Novo!
Sinais de um novo tempo a se descortinar.
As terras conhecidas estenderam-se para o ocidente desconhecido. E para lá seguiram os missionários da esperança cristã, que levavam a missão de restaurar a fé perdida e pregar por recantos insólitos os ensinamentos do Rio dos céus.
Através dos princípios da Companhia de Jesus, Deus desceria novamente até os homens, envolvendo-os na paz de sua glória infinita.
Sul da América do Sul, o vento corta as terras dos pampas e o índio guarani é o senhor do seu tempo; tempo que trouxe os padres jesuítas e que se encarregou de multiplicar o gado e “civilizar” o índio em nome do Criador.

Ergueu-se ali, em território bravio, um verdadeiro império da opinião. Um Reino da fartura e do bem estar coletivo, que gerou Sete Missões de Amor.
A fama das Missões, também chamadas cidades perfeitas ou o novo paraíso, cortou as terras dos pampas e despertou a insanidade do sertanista bandeirante, que surgiu sorrateiro, ávido pelo mesmo gado e pelo mesmo índio civilizado.
Mas, aquelas terras tinham dono e da coragem do guerreiro manifestou-se a resistência: louvado seja. Ceci Tiarajú que, com a própria vida, defendeu as Missões e a nação Guarani.
A ação missioneira que pretendemos mostrar não poderia, dessa maneira, decifrar-se unicamente na apreciação dos monumentos que se adivinharam nas fantásticas ruínas das Missões, nem nas estátuas ou na coleção de peças dessa origem recolhidas aos museus.
Faltar-lhe-ia alguma coisa.
E esse seria a própria alma que vitalizara esses mudos atestados de um mundo diferente em que palpitava a vida em gestos admiráveis de fé, em vibrações inspiradoras e fortes.
E os gestos de fé e de amor para superar a dor, fizeram dos índios e dos jesuítas, imitadores do próprio Cristo crucificado.
A paixão de Cristo parte foi de noites sem dormir, parte de dias sem descansar, e tais foram suas noites e seus dias.
Cristo despido e eles despidos.
Cristo sem comer e eles famintos.
Cristo em tudo maltratado e eles maltratados em tudo.
Os ferros, as prisões, os açoites, as chagas, os nomes afrontosos, de tudo isso se compunha a imitação daqueles almas.
Cabe hoje, a todos nós, tocados pelos ventos do passado e embalados pelos ventos do presente, preservarmos as brisas que estão por vir; Com a alma guarani, nos tornamos verdadeiros guerreiros, defensores da nossa cultura, carregando nos próprios ombros as pedras e tijolos que manterão firmes os alicerces das nossas raízes e erguer, com o suor da nossa memória, os templos indestrutíveis da nossa história.
História de fé e dor;
De lutas e batalhas sangrentas, mas acima de tudo, de infinita resistência.
História de um povo, sobretudo forte e que se somando a tantos outros vindos de várias partes do mundo, fez triunfar no sul do nosso território, um Brasil de diversos sotaques, de variadas cores e múltiplos sabores.
Ah! Brasil da arte de misturar.
Benditos, somos nós, frutos do vosso ventre de glória eterna.
E abençoado és teu solo, “em que se plantando tudo dá”.

Laíla, Cid Carvalho, Fran-Sérgio, Shangai e Ubiratan Silva
Comissão de Carnaval

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